Qual o papel das igrejas de hoje (Instituições de poder) em relação aos diretos humanos, porém segundo a ética da Lei e dos profetas veterotestamentários?

11/12/2017 10:12

Escrito por:
Rodrigo Felipe S. Mendes

Precisamos reconhecer que existe uma dificuldade para definirmos aquilo que é exatamente direitos humanos. Há aqueles que diriam que ele se auto explica e que é compreendido de forma universal. É notório que ao longo dos anos essa compreensão a respeito dos direitos humanos vem sofrendo mudanças profundas, e que em cada lugar possui suas particularidades de uma sociedade ou civilização para outra.

Podemos definir os direitos humanos se baseando nos seguintes princípios: no valor do ser humano, da justiça e da dignidade de cada indivíduo. Baseando-se nisso, podemos dizer que cada pessoa tem pelo menos, três direitos individuais, como: a liberdade de pensamento/opinião própria, liberdade de exploração e liberdade de viver uma vida digna. E quando falamos sobre esse assunto o que queremos deixar claro é que todo cidadão tem o seu direito estabelecido por lei e cabe a cada um de nós, embora concordamos ou não aceitar a opinião e a posição do outro.

Em se tratando dos tempos bíblicos, o que podemos notar é que em boa parte do tempo e da narrativa da história bíblica ou de uma civilização, é que em seu processo de formação, podemos observar que em muitos momentos ainda não se havia notado a necessidade de existência ou da criação de um código de leis ou éticas que defendessem os direitos dos seres humanos, mas em contrapartida o que podemos notar é que o Deus revelado nas páginas das Escrituras sagradas sempre se apresentou e se mostrou como um Deus justo. 

Ainda falando, tanto com os assuntos concernentes as causas de seu povo, mas também sendo compassivo e misericordioso com os estrangeiros, não deixando que em momento algum esses fossem humilhados ou maltratados. É daí que surge a ideia e o que podemos chamar de “direito divino” que sempre buscava favorecer os mais necessitados e agia com justiça para com os demais. O que nos remete a ideia de que sempre houve um senso justo pairando sobre a mente e o coração de todos aqueles que tinham o Senhor como o seu Deus, e para aqueles que não o conheciam Ele os dava a oportunidade de servi-lo ou não. 

O que podemos observar é que os ensinamentos da bíblia no que tange a dignidade dos homens, criados com detalhes específicos como: a imagem e semelhança do Criador e perdoados em Cristo, o que veio a levar os iniciantes da fé cristã a falarem sobre o amor e a igualdade. E, se insistia que todos os homens foram dotados de dons e que um dia teriam que prestar contas dos mesmos a Deus. E para que fosse possível compreender essa dadiva dada por Ele, era necessário contar e confiar no poder do seu Espirito.

Há também aqueles que dirão que as mulheres eram uma classe menos favorecida nos tempos bíblicos e que eram tratadas com uma desigualdade em demasia, mas o que temos que nos atentar é que esse fato na verdade não se deu pela vontade de Deus em sua totalidade, muito pelo contrário, o que acontecia nessas épocas era que imperava um machismo na cultura oriental tão grande onde elas eram consideradas como sendo uma classe inferior na sociedade, e é algo que acontece até os nossos dias.

Com isso, podemos dizer que acaba por ser uma injustiça, pensar que os ensinamentos dados por Deus a humanidade a luz dos nossos padrões e costumes atuais uma vez que estamos nos referindo a tempos distintos e também a civilizações muito antigas para que possamos fazer comparações a ponto de dizer que Yahweh é uma espécie de Deus bárbaro, sanguinário, matador; na verdade Ele é totalmente o oposto disso. 
Podemos notar isso por exemplo quando observamos as narrativas bíblicas que fazem menção ao serviço escravo prestado pelos israelitas nas terras do Egito, o Senhor Yahweh em momento algum definiu apenas agir com fortes mãos sobre aquele faraó e seu povo, pelo contrário Ele os deu a opção de escolha, e a opção era que aquele povo deixasse de ser escravo, pois viviam em uma condição totalmente indigna, onde muitas vezes não tinha o que comer, em outros momentos eram açoitados até a morte, uma situação que nos faz chegar a compreensão de que era totalmente desumano o trato que esse povo recebia. Eles não tinham salário, não possuíam moradia apropriada, não tinham direito a nada, e em muitos casos morriam de tanto trabalhar.

Já a visão bíblica descrita no livro do profeta Jeremias nos levar a entender o quanto o Senhor age com justiça para com os trabalhadores e para aqueles também que não o são justo: “Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito, que se serve do serviço do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário do seu trabalho. ” 
(Jeremias 22:13). Penso que é um equívoco pensar em Deus sem pensar em direito igualitários e justiça. 

Dentro do exposto, penso que as igrejas desse tempo precisam se posicionar a favor dos valores morais, dos direitos humanos porque na verdade esse foi o papel de muitos dos profetas, que se apresentaram de forma contundente contra todo tipo de pecado e injustiça para com todos e não apenas para as classes mais favorecidas (os endinheirados), como vemos alguns denominações fazerem, e que acabam por se esquecerem dos valores fundamentais descritos de forma enfática em muitas passagens do antigo testamento a respeito do valor da vida e dos seres humanos.

O que podemos concluir, é que os ensinos bíblicos sempre caminharam na mesma direção que os direitos humanos, reduzindo os combates sangrentos, havia-se uma exigência incisiva no bom trato dos escravos, na proteção dos menos favorecidos, com cuidado com as mulheres, principalmente com as viúvas, os órfãos, entre outros fatores e com um detalhe que nos cabe ressaltar, em uma sociedade extremamente machista.

Links e bibliografias consultados:

Strieder, Inácio. a bíblia e a fundamentação ético-teológica dos direitos humanos https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/2934/2934.PDF (acessado em 01/12/2017 ás 15:30h).

Moura, Vinicius. O Desafio de Ser Cristão.  https://desafiodesercristao.blogspot.com.br/2012/06/biblia-sempre-defendeu-os-direitos.html?m=1 (acessado em 03/12/2017 ás 17:00h).

Conrado, Flávio. Cristãos evangélicos e os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. https://www.ultimato.com.br/revista/artigos/315/cristaos-evangelicos-e-os-60-anos-da-declaracao-universal-dos-direitos-humanos (acessado em 05/12/2017 ás 13:00h).

Vários autores, Bíblia sagrada versão NVI. https://www.bibliaon.com/versiculo/jeremias_22_13/ (acessado em 08/12/2017 ás 14:00h).

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